Há 2.800 anos a.C., as tribos primitivas
que habitavam às Margens do Rio Amarelo, ao norte da China,
Viviam em comunhão com a natureza e sentiam em seus corpos
uma influência invisível e poderosa envolvendo todos
os seres existentes entre o céu e a terra; essa presença
intangível é denominada Qi.
Fu Xi, o chefe mais sábio de todas as tribos, considerado
o I imperador da China foi o primeiro homem a ter consciência
da ação do Qi; ao contemplar as imagens do céu,
as marcas na terra e a vida em si próprio, Fu Xi desenhou
linhas simbolizando o yin e yang e os oitos trigramas para explicar
os princípios que regem os movimentos do Qi e as mutações
que estes provocam. A descoberta de Fu Xi altera o olhar do povo
primitivo sobre o mundo, masca o momento em que o homem se humaniza
e faz a sua passagem do caos para a ordem, dando início à civilização
chinesa. Desde então a cultura chinesa desenvolve-se enraizando
nessa revelação inicial, mantendo viva através
da práxis de sua filosofia, ciência e arte o legado
dos antigos.
No ocidente a existência do Qi caiu no esquecimento; numa
sociedade materialista e tecnológica ele é ignorado
ou visto com desconfiança. Esta insensibilidade leva o
homem ocidental à uma existência solitária
e desequlibrada, fruto do desenraizamento daquele que é a
fonte da vida, pois como diz o Livro das Virtudes(Tão
De Jing, de Lao Zi):
“ O Qi é a mãe de todas as coisas. Reconhece-la é ser
nutrido por ela, não reconhece-la é morrer de solidão”
Origem e
Desenvolvimento dos Exercícios Terapêuticos
Chineses
A fundação da civilização chinesa
se deu no período de 2852 a.C. a 2400 a.C., quando governam
os três imperadores lendários:
FU XI – criador do casamento, descobridor da polaridade
Yin – Yang e os 8 trigamas.
SHEN NUN – incentivador da agricultura, domesticação
de animais e fitoterapia.
HUANG DI – inventor da bússola, da medicina e dos
ritos (exercícios, movimentos, danças).
A busca da longevidade e de realizar plenamente a vida que lhe
foi concedida pelos céus fez com que o povo chinês
sobrevivesse a 5.000 mil anos de guerras, invasões, catástrofes
de ordem natural e fome. Contaram com a ajuda misericordiosa
de inúmeros santos, sábios e médicos, que
ao longo da história chinesa criaram, desenvolveram e
ensinaram práticas que tinham por finalidade fortalecer
a mente, o corpo e as emoções. Acumularam-se milhares
de exercícios, movimentos, danças e artes guerreiras
de todos os tipos, atendendo à miríade de finalidades
e necessidades, os quais são praticados até hoje
por toda a China pelas manhãs e no final do dia.
Atualmente estas práticas são consideradas patrimônio
nacional, pois garantem a manutenção de um padrão
de saúde para o povo chinês, que corresponde a 22
% da população da Terra, ou seja, 1.150 bilhão
de habitantes.
Apesar da diversificação, todas as práticas
têm um princípio em comum, o dao-in, que significa
a indução da circulação do Qi e do
sangue. Originalmente, praticar o dao-in consistia em:
"
Chacoalhar os músculos e os ossos para movimentar as articulações
e mobilizar o Qi e o sangue, fazendo-os fluir".